Quem hiperventila: Lil Categoria:
Geral
Esse texto pode ser chato pra alguns, bobo pra outros e irrelevantes para muitos. Mas é o último suspiro de alguém que não é mais o que já foi.
No capitalismo os bens e o trabalho são comprados e vendidos. Teoricamente, essa compra e venda deveria ser baseada no principio da troca equivalente. Ou seja, você me dá x e eu te dou y equivalente a x. Nas sociedades capitalistas em que vivemos, no entanto, a troca equivalente foi substituída pela acumulação de capital via violência e poder. O famoso quid pro quo (algo por algo) tornou-se um elemento de irracionalidade dentro da chamada sociedade racional. Grandes corporações compram a mão de obra humana por muito menos do que esta irá produzir. Isso resulta no lucro e elimina qualquer possibilidade de troca equivalente. É por isso que os recursos humanos permanecem ociosos, pois não há no mercado nenhum quid para ser trocado pelo quo da produção potencial. O grande problema da nossa sociedade é que centenas de milhões de pessoas passam fome, são miseráveis e doentes, pois não há mecanismos para realizarem uma troca do que poderiam produzir pelo que necessitam para sobreviver.
Com o passar do tempo, o sistema capitalista nos levou a criar uma sociedade em que poucos podem vender sua mão de obra qualificada. Os menos favorecidos economicamente, com isso, ficam a mercê de alguns poucos donos das grandes corporações, que decidem quantos centavos vale seu trabalho.
Muitos podem dizer que vivemos em uma democracia e que o principio da “livre iniciativa” prevalece nas sociedades capitalistas. Essa é uma das maiores mentiras já contadas. As massas sem bens nunca estiveram em situação de determinar as condições de suas vidas ou a política do Governo de seu país. Isso é democracia? Quando apenas uma parcela das pessoas tem condições de agir em prol de mudança (e, como vemos, não agem), o que existe é uma democracia mascarada.
As maiores empresas do mundo dominam os governos e a imprensa. Isso faz com que todo problema do capitalismo, incluindo a exploração de populações inteiras de sociedades subdesenvolvidas, seja escondido e se torne um assunto tabu. Os causadores da “destruição” social dominam os meios de informação social. Quem irá desafiar o poder? Um poder que deveria ser democrático e de todos, mas que é privado e de poucos. Existe uma clara injustiça social imposta pelo modelo econômico e político no qual vivemos.
Muito falamos das mazelas dos que não tem a nossa moeda de troca: o dinheiro. Desse modo, parece que existe uma parcela da sociedade infeliz (os miseráveis) e outra imensuravelmente feliz (os abastados economicamente). Pois não é nem isso o que acontece. O capitalismo, além de trazer a desigualdade, traz a fonte de felicidade nos bens materiais. Para os que trabalham, o salário é sua chave da felicidade. Suas medíocres satisfações, seu reconhecimento aos olhos alheios, o status que deseja e sua imagem dependem da posse de objetos materiais. E dentro da estrutura social existente, esses objetos de consumo perdem, cada vez mais, sua capacidade de satisfazer. Dessa forma, o consumo se torna uma espécie de extensão e continuação de ganhar a vida. Nem o trabalhador nem o consumidor jamais se sentem realmente completos. Vivemos em uma sociedade na qual os que não têm nada, nunca terão, e os que podem ter o que querem, nunca estarão satisfeitos. É um sistema, de fato, irracional!