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A Dura (forte, gostosa, cheirosa) realidade
Que inferno, que inferno. Vou ter de admitir Publicamente.Ta doendo. Chega a ser vergonhoso, humilhante, mais fazer o quê?É a verdade. Nada mais que a irônica verdade. Eu gosto mesmo, e muito é de playboy.
Eu tentei de todas as maneiras ver graça nessas espécies de papete e óculos apenas funcional (daqueles que dispensam qualquer aro fashion ou marca conhecida). Tentei com afinco os tipinhos colecionadores de sebos e traças. Como eu tentei os que querem salvar o mundo entre uma pinguinha com amigos do curso de sociologia e a fita do Chico tocando abafada no carrinho popular.
Não são esses os homens interessantes? Não era um desses que eu queria em casa, botando um Cartola pra dançar de rostinho colado? Botando um Bob Dylan para começar o dia odiando o master of war? Um que só comprasse brinquedos educativos e ecologicamente corretos para nossos filhos?
Não fui eu que escrevi 567 textos reclamando dos playbas irados e implorando para o destino colocar nas minhas mãos um autêntico intelectual que prima pelo cérebro em detrimento ao abdômen?
Sim, fui eu mesma. E eu paguei a minha língua, como dizem por aí. Nos últimos meses arrumei dezenas senão centenas de homens assim. E, para meu desespero e inconformismo, não me apaixonei por nenhum deles. Nenhunzinho sequer. Nem um soprinho mais quente no coração.
Descobri que eu gosto mesmo é daquela droga de música eletrônica ou indie rock do momento berrando num carro mais alto em relação aos buracos e lombadas da vida. Tudo isso mergulhado a um bom perfume e uma roupa moderna. Gosto mesmo é do maleta que mostra toda sua inteligência ao ler uma boa carta de vinhos. Gosto das cuequinhas Calvin Klein! Que saudades delas! Chega de zorba furta-cor!
Eu gosto é da barriguinha definida, da coxa dura, da virilha cheirosa, da nuca sem aqueles pêlos extras, do ombro largo. Quem lê demais, vai demais ao cinema não tem tempo (nem saco) pra ficar tão gostoso.
Levantar livros, ainda que seja toda a coleção do Em busca do tempo perdido, não deixa nenhum homem com aquele braço de estivador que eu tanto gosto. Aquele bração que te pega de jeito, puxa teus cabelos, te coloca de qualquer jeito e te faz sentir segura. Me desculpa, Proust, mas com um braço desses eu recupero todo o meu tempo perdido.
Chega! É isso aí. Vou parar de ir contra a natureza e assumir meus instintos primitivos: poetas e ativistas de plantão podem até emocionar meu coração, mas nada causam quando o buraco é mais embaixo.
Eu sei que depois do sexo é bom conversar. Eu sei que, depois de anos de namoro, o que sobra é um bom pão. Eu sei que depois de casada o que eu vou querer é um bom companheiro com quem dividir o jornal, os DVDa e as idéias.
Mais até chegar aí, eu preciso mesmo é sentir tesão novamente. Me sentir viva novamente. Eu preciso mesmo é de um playboy com tudo o que eles têm direito. Preciso fechar os olhos e enlouquecer com um cheiro, uma apertada, uma lambida, um peito definido, uma mão firme, … e não com uma frase inteligente ou um comentário deliciosamente cínico.
Claro, se eu puder ter as duas coisas, melhor. Mais chances de o relacionamento durar. Mas, pra agora, pra resolver um problema urgente, o raciocínio é simples assim: você tem mais tesão pelo Woody Allen ou pelo Justin Timberlake?
Tati Bernardi
Eu não sou de repassar textos, ou postar coisa dos outros, mas é que esse era ótimo!



